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Músicas na Jukebox Digital



Capa da revista Áudio e Vídeo ed. 58


Desde que me lembro, sempre fui apaixonado por música tendo enorme prazer em confeccionar compilações, nos mais diversos dispositivos eletrônicos de gravação, desde os 12 anos de idade.


Ainda na analógica época do vinil escolhia as faixas cuidadosamente e as anotava em uma pequena etiqueta (que depois se transformava na capa da fita K7, quem se lembra deste detalhe?) e as gravava na fita K7, LP após LP, encarte após encarte, ao som da fantástica dança dos VU´s presentes nos toca-fitas da época, os quais mediam o nível de gravação das músicas.


A dança se repetia no movimento do braço do toca-discos, que lentamente engolia os sulcos dos discos de vinil, e do selo do disco, que rodava em círculos.


“Il tempo che fu”, como diz meu amigo italiano, numa tradução livre, o tempo que se foi... e atualmente me deparo com uma questão interessante, porém ainda não resolvida.


Guardo na estante, minha coleção de discos de vinil e de cds (as diversas caixas contendo as coletâneas gravadas em K7 foram despachadas já faz algum tempo) e tenho um Ipod lotado, mas o importante é que adoro ouvir música.


Meu pequeno museu vintage conta com alguns toca-discos de vinil belt-drive e direct-drive em perfeito estado, alguns cd -players para 1 ou 5 cds, um notebook com um generoso HD, um HD externo, cabos de conexão, dock station e controle remoto para o Ipod, ligados a um receiver AV com entrada PHONO, enfim, tudo o que é necessário para passar os discos de vinil para o HD. O que eu não fiz.


Por quê? Pergunta o estimado leitor. Falta de tempo, dirão uns ou já está ficando velho dirão outros. Nada disso. O que ocorre com este colunista é que eu não ouço mais meus discos de vinil, nem mesmo ouço os meus cds (apenas alguns) apesar de guardar a coleção com todo carinho.


Daí o dilema: se não ouço os discos nas suas mídias originais por quê perder tempo transferindo-os para MP3, que tem a qualidade de som inferior?


Mesmo com a praticidade da minha jukebox digital portátil (Ipod) acredito que cada época da vida tem a sua fase musical devidamente registrada em uma mídia ou mais recentemente em uma memória, e assim nos seus respectivos tocadores.


O vinil sempre teve um som mais macio, com graves aprofundados e verdadeiros porém aos poucos muitos se desfizeram dos vinis substituindo-os por CD’s. Com um percurso de mais de 25 anos, o CD está mancando por aí e os discos de vinil continuam cultuados.


As músicas das bandas atuais na sua grande maioria soam melhores em armazenadores de bits como os Ipods e uma gravação em disco de vinil soa melhor em vinil... o CD está no meio do caminho, toca bem no formato original ou transferindo para MP3. Faça um teste, passe para o computador um disco de vinil e experimente ouví-lo no MP3 player, o resultado não fica bom no formato digital.


Se ainda não foi possível ''ripar'' os discos um por um para o computador do modo convencional para ''descarregar'' os arquivos no MP3 player, anime-se. Já existem no mercado modelos de toca-discos de vinil com saída USB, para conexão direta no PC e software específico para passar as músicas analógicas para bits.


A tecnologia engoliu as mídias graváveis e o tempo que se foi para nós, sempre nos presenteou com ótimas trilhas musicais!

















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